Como ter um 2024 mais feliz? Minha dica: além de planejar, criar metas, invista na compreensão dos seus traumas.
As duas Fridas de Frida Kahlo
Não considero perder peso no próximo ano como uma meta, por exemplo. Investigando nossos traumas, um exercício é pensar: por que perder peso é tão importante para você? O que você ouviu sobre ser magra na sua infância? Qual sua percepção de autoimagem diante das imagens de beleza que você costuma consumir? Nesse aspecto, eu também estou bem cagada. Mas, tenho percepção do meu trauma.
Eu, que sou uma pessoa do planejamento estratégico, já deixei de desenhar conscientemente muitas metas para o próximo ano porque emagrecer estava constantemente entre elas e me fazia sentir frustrada.
Nesse próximo ano, tenho como meta ter uma rotina mais saudável, priorizando meu descanso, saúde, exercícios e alimentos que me fazem bem. Emagrecer faz parte do meu trauma. Me doar muito, não me permitir descansar, faz parte do meu trauma. Perfeccionismo e obsessão com o trabalho fazem parte do meu trauma. Todos esses traumas que elenquei atrapalham o meu planejamento estratégico de ter uma rotina mais saudável. Consegue por aí perceber algo disso em você?
Saber olhar para os nossos desejos e, ao mesmo tempo, nossas dores pode nos ajudar a seguir em frente com mais consciência e felicidade. Antes de escrever, não tinha me atentado sobre essa conexão entre metas e traumas. É muito comum a gente ficar numa maré de sentimentos confusos, misturados, sem saber ler direito o que de fato é nossa vontade e o que é só o reflexo das nossas dores individuais e coletivas.
Esse ano, vou tentar escrever novamente metas para 2024. Escrever, para mim, é fundamental para ajudar a materializar. Sou a pessoa que está constantemente colocando meus sonhos no papel. Depois de listar todas as metas que surgirem, vou pensar uma por uma. Como e porque elas estão conectadas com meus traumas. Depois disso, vou redesenhar melhor todas essas metas e escolher as cinco principais para focar.
A de ter uma rotina mais saudável vocês já sabem. Ela é inegociável e está num nível de consciência mais avançado porque já sei quais traumas me atrapalham. Outra meta: finalizar o livro que estou escrevendo. São meus traumas que deram origem a esse livro. Para mim, escrevê-lo é também um processo de me aprofundar nesses traumas, trabalhá-los e apresentá-los de forma mais “mastigada” a quem me lê. Acredito: esse livro, assim como tem sido o Perfeito, sem Defeitos, vai ser uma ferramenta de transformação pessoal para muitas de vocês. Por isso mesmo, é algo que desejo muito parir e colocar no mundo.
Mas, para conseguir terminar essa gestação, preciso de concentração, energia, espaço emocional. Tenho pensando: o que tem me atrapalhado? Quais são os outros traumas que estão sabotando esse desejo? Quais são os medos? Como posso ser estratégica para concretizar esse sonho? Talvez, só com essa consciência conseguirei finalizá-lo. Para alcançar certos sonhos, lugares, a gente precisa primeiro se transformar. E a gente só se transforma com a consciência do que nos prende, do que dói. Entre o ponto A e B, muitas vezes, há um longo espaço. Por isso que sonhar, desejar e cuidar das nossas dores, traumas, é uma caminhada conjunta.
Para quem quiser dedicar mais um tempinho a reflexão, deixo a dica: assistir o mini curso no YouTube da Professora Lúcia Helena Galvão chamado Como superar os limites internos. Procurando por esse nome, vocês acham. Ela debate o livro A guerra da Arte de Steven Pressfild. Também há um vídeo da professora conversando sobre o livro com o autor. Nessa semana, vou para praia. Além de tentar desestressar (o que está difícil), vou tentar ler o livro, que nunca parei para ler, e ver esse outro vídeo que ainda não assisti. Se a gente olhar direitinho ao redor, sempre há muitas energias tentando nos auxiliar. O fluxo da vida é esse. Às vezes, tudo que a gente precisa é aquele clichê: sair do automático, se escutar um pouquinho, se entender e, então, abrir espaço para o mais natural da vida: transmutar.